Disfunção Temporo-Mandibular (DTM)

Disfunção Temporo-Mandibular (DTM)

As disfunções temporomandibulares (DTM’s) são alterações, de origem muscular e esquelética, provocadas por alterações no sistema estomatognático. Este é constituído pela articulação temporomandibular (ATM), dentes, músculos e estruturas anexas da cabeça e pescoço.
O tipo de oclusão, bruxismo (hábito de ranger os dentes), traumatismos, mobilidade dentária, stress, genética e doenças sistémicas são considerados factores de risco que possivelmente contribuem para DTM, sendo as mulheres o género mais afetado, geralmente entre os 20 e os 35 anos.

    Os sinais e sintomas destas disfunções passam por: dor junto à região orofacial (principal sintoma) , limitações e/ou desvios na abertura bucal e ruídos proveniente da articulação (crepitações ou estalidos). Associado a este problema podem ainda surgir dores de ouvidos (otalgia), zumbidos, tonturas, dor do pescoço e dores de cabeça (cefaleias). Quando a disfunção temporo-mandibular tem origem muscular, esta induz o aparecimento de enxaquecas, cefaleia de tensão e cefaleia crónica diária.

    Existem várias abordagens terapêuticas que podem ser seguidas, sendo que o tratamento é multidisciplinar e pode envolver a combinação de várias soluções. Estas poderão ir desde o tratamento farmacológico, fisioterapia, normalização oclusal, utilização de goteiras oclusais, ou então terapias alternativas como a acupuntura, exercícios posturais e osteopatia. Em casos mais graves, poderá ser necessário recorrer a cirurgia articular. Estratégias como a aplicação de frio e/ ou calor nas zonas dolorosas, massagem sobre a zona muscular afectadas e exercícios mandibulares podem reduzir a dor e aumentar a amplitude do movimento.

    As goteiras oclusais são a opção terapêutica mais frequentemente utilizada , sendo que consistem num dispositivo, com encaixe dentário (superior ou inferior), que permite uma desoclusão maxilar e consequentemente um relaxamento da zona articular e muscular afetada. Existem diversos tipos de goteiras oclusais de acordo com o fim terapêutico ao qual se destinam, podendo ser de reposicionamento, relaxamento muscular, proteção, recuperação da dimensão vertical de oclusão (DVO) e para contenção pós tratamento ortodôntico.
    Desta forma, a goteira permite, de uma forma simples, proporcionar uma oclusão temporária “ideal” para o paciente, ou seja, contactos oclusais estáveis que permitam um equilíbrio no funcionamento do sistema estomatognático.

    As goteiras oclusais têm como principais mecanismos de ação:
    – alterar a oclusão, tornando-a mais favorável;
    – alteração da posição condilar (reposição dos côndilos da mandíbula, de forma a adquirir uma posição mais funcional, sem sintomas e que permita maior estabilidade músculo-esquelética);
    – aumento da DVO;
    – modificação da atividade neuromuscular; entre outros.

    Os resultados da terapia com este dispositivo dependem muito do momento em que foi feito o diagnóstico (quanto mais cedo melhor), tipo de abordagem (como coadjuvantes ou terapia isolada), técnicas/materiais utilizados na confeção da goteira, anatomia da ATM,entre outros.